E já que começamos o ano organizando alguns conceitos, vai aqui um comentário de economia que reforça o que conversamos sobre o sentido de “tarifas protecionistas”. O pior é que falamos disso tratando das Revoluções Burguesas, pensando num olhar do Liberalismo precisando se livrar das práticas do Mercantilismo. Tipo 200 anos atrás?

Ouçam o que disse o Carlos Alberto Sardenberg, comentarista de economia da CBN

Será que ele tem razão? Ou será que em algum momento o protecionismo é justificável?

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2009 já começou faz um tempinho, as aulas na escola só há uma semana.

Hora de retomar o blog, reunir questões de interesse para o curso desse ano, começar o papo por aqui.

E deve haver muita novidade, já que houve alterações no programa!

Vamos ver que cara vai assumir esse blog a partir disso tudo.

Obama Eleito

Obama Eleito

Não podia deixar de escrever sobre a vitória do Obama, que aconteceu nessa semana. Após o acompanhamento que fiz com os alunos no começo do ano, foi muito prazeroso acompanhar os resultados das eleições e discutir com eles as implicações disso, nesse momento.

Na aula de ontem, em que o tema era Neocolonialismo, foi possível olhar para o discurso da vitória do Obama e pensar se realmente veremos um posicionamento diferenciado, nas questões internacionais, de um país que ainda é, nesse momento, a maior potência econômica e militar. Acredito que o desejo de parte dos americanos seja sim sair do Afeganistão e do Iraque. Ouvi também que há motivações econômicas para sair: o custo de manter essas operações é extremamente oneroso, em especial quando se avizinha uma forte recessão.

Outra conversa na aula foi sobre o temor que há quanto à segurança de Obama nesse momento. São várias as situações na história, na dos EUA claramente, de assassinatos de líderes que apontavam para transformações.

Como escreveu o David Weinberg, nesse lindo post, a vitória do Obama emociona, por muitos motivos. O principal, talvez, seja o fato de poder recuperar as esperanças de mudanças, e portanto abrir as portas para que elas se concretizem.

Enquanto os alunos avançam nas suas produções sobreo estudo do meio em Ribeirão (aguardem notícias sobre isso mais adiante!), retomamos o trabalho com os temas que ainda precisamos abordar até o fim do ano.

Como estavamos trabalhando o Brasil no século XIX,  não podia ficar de fora a proclamação da República.

Ontem parti para um exercício interessante: deixar na mão dos alunos o documento com trechos do Manifesto Republicano e tentar observar o que aconteceria se eles fizessem a leitura sem a minha mediação, pelo menos a princípio. Para tanto, elaborei sete perguntas de múltipla escolha para que eles respondessem ao final.

A avaliação foi que a presença dos testes auxilio-os a retornar ao texto e compreender melhor a leitura, já que trata-se de um documento de 1870, de linguagem complexa, etc.

Minha inspiração para esse tipo de atividade foi a prova do ENEM, que ocorreu no dia 31/08. Objetivamente, ninguém precisava ter estudado história para responder as questões daquela prova, que aparentemente se aproximavam dessa disciplina. Mas era fundamental exercer uma boa leitura e ter compreensão do texto.

Valeu a experiência, e agora, quando voltarmos ao tema para terminar nosso trabalho, pelo menos terei certeza de que essa leitura foi feita por completo, o que nem sempre ocorre quando trabalhamos um documento em sala a partir de leitura e discussão.

E, como ganho adicional, posso mapear um pouco melhor os alunos que apresentaram dificuldades claras com esse tipo de habilidade.

O segundo semestre está começando, e  primeiro desafio na escola está sendo preparar a viagem de estudo do meio para Ribeiraõ Preto e cercanias. É a primeira vez que eu participo do projeto. É desafiante, pois acabamos de falar da região por conta da cultura cafeeira do século XIX. Minha questão é: o que ficou disso tudo por lá?

De que maneiras poderemos ver as marcas da história naquela região? Vamos ver o que vem dos alunos.  Será um delicado processo de buscar, por entre a sobreposição de culturas, as oposições entre riqueza e miséria, as contradições da vida no campo, traços da consciência de história dos sujeitos da vida atual.

Semestre no fim, hora de anotar algumas idéias aqui no blog. Estou satisfeita com o curso do 2o ano, ainda que saiba que tenho bons desafios no meu caminho até o fim do ano.

Uma prática interessante que temos feito no Vera Cruz é um trabalho de acompanhamento do curso  das outras série. Debatemos os currículo, os materiais, o tipo de demanda cognitiva das várias atividades propostas. 

Desde o ano passado estamos mais atentos às provas aplicadas nas outras séries. Nessa última, usamos uma reunião para mostrarmos aos colegas nossas avaliações antes de enviá-las para a gráfica, e tenho que afirmar que isso é muito importante. São olhares que nos ajudam a considerar a clareza dos enunciados, o grau de dificuldade das questões, a adequação dos textos escolhidos, o balanceamento dos temas, a variedade de habilidades requeridas na prova.  Quando a gente olha a prova dos outros, a nossa ganha uma dimensão mais clara, e os comentários ajudam muito a fechar a proposta de forma a enriquecer a atividade. Afinal, diz a  nossa coordenadora, Maria Lúcia Di Giovani, prova boa é aquela que a gente aprende com ela.

Estamos ficando afiados com essas conversas, procurando criar uma boa coesão entre as propostas de avaliação das três séries, e, entre outras coisas, tendo claro o que e como estamos avaliando.

Andei me perguntando sobre a utilidade e adequação de inserir as questões de minhas provas na rede. A quem seria útil? A outros professores? Aos alunos, para prepararem-se para outras avaliações? Opiniões?

Fiz esse post no Discurso Citado, e acho que preciso repeti-lo aqui.
Li nesses dias artigos excelente sobre o uso que o Obama fez da internet e dos recursos de mídia social até agora. Um deles é “The wiki-way to nomination”, escrito por Noam Cohen, articulista que tem escrito bastante sobre tecnologias e sociedade no New York Times.
Comparado aos fenômenos das “start up” da internet, falou-se muito sobre o Obama: bom artigo de Marc Ambinder, “HisSpace“, que faz um a boa descrição do uso feito pelos recursos de comunicação pelos candidatos à presidência ao longo da história dos EUA. Fala sobre Andrew Jackson e o uso dos jornais e da expansão do sistema de correios, Franklin Roosevelt e o rádio, John F. Kennedy e a televisão.
Em outro artigo, Andrew Sullivan chama o estilo de Obama de política do Facebook. É algo a se pensar, quando um candidato a presidente consegue levantar US$30 milhões por mês, sendo 95% das doações na faixa dos US$200. Taí uma situação em que os grupos de interesse perdem força para a cidadão comum.
O que fica no ar são as reais perspectivas de manutenção dessa gestão bottom-up caso ele seja eleito. Na verdade, antes disso haverá todo o 2o round da campanha, o que em si já será um bom período de observação do desdobramento destas práticas.

Após a acirradíssima campanha interna, Hillary Clinton hoje reconheceu que a vaga é do Obama. Os rumores são que ela estaria trabalhando para obter a vaga de vice. O Obama anda dizendo que não tem pressa nessa decisão.

Nova etapa, será que o Obama trará outras surpresas para a campanha?

Na próxima sexta-feira, 06/06, o historiador Bóris Fausto estará conosco na escola Vera Cruz, para uma conversa com os alunos do Ensino Médio. O tema é: “Democracia no Brasil e nos Estados Unidos: trajetórias e desafios”. Será uma ótima oportunidade de conversar com um pesquisador que tem muito a dizer sobre a história de ambos os países, especialmente com os alunos aquecidos, após um trimestre discutindo a formação do Estado americano, e agora olhando para esse mesmo tema no Brasil. A conversa ocorrerá também numa semana decisiva para as prévias eleitorais dos EUA, pois as primárias do Partido Democrata terminarão na próxima 3a feira, dia 3. Vai ser uma grande oportunidade de ouvir sua análise diretamente, no calor da situação.

Para quem acha que a história é uma simples evolução do passado para o futuro, valeria à pena ficar de olho em algumas situações políticas contemporâneas. Uma delas é a recente passagem da monarquia para a república no Nepal, obtida após anos de pressão de guerrilheiros maoístas, que lutavam pelo estabelecimento de um Estado socialista. Simples, né?
Mais detalhes, nessa reportagem da Folha de S. Paulo.

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