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lambe-lambe no muro da escola

Nesse ano propus às turmas do 2 ano a criação de imagens que pudessem nos ajudar a compreender e/ou lembrar de temas ou conceitos que trabalhamos no curso. Essa atividade foi feita após um trimestre de estudo sobre os desafios da Europa pós Revoluções Burguesas, durante o século XIX.
Para essa proposta, contei com a parceria da Celina Gusmão, que nas aulas de artes trabalhou com a turma a observação dos elementos importantes na composição da linguagem visual, e trouxe ótimas referências sobre produção gráfica do período.
Os grupos precisavam, portanto, escolher que tema gostariam de representar, definir o tipo de abordagem que gostariam de produzir, pesquisar materiais de referência para dar base a sua produção e aí por mãos à obra.
Para organizar o processo, apresentei aos alunos o Pinterest, como uma plataforma em que poderiam reunir as imagens de pesquisa e também onde deveriam postar a representação produzida. Eles deveriam, portanto, apresentar o material que criaram na sala (um poster, uma pintura, um desenho, um cartoon) e compartilhar comigo sua imagem numa conta do Pinterest criada por um dos membros do grupo. As 33 produções podem ser vistas aqui.
Como sequência da proposta, quatro dessas obras foram selecionadas para um trabalho de lambe-lambe em um dos muros do páteo da escola, conforme vemos na imagem no topo desse post.

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Obama Eleito

Obama Eleito

Não podia deixar de escrever sobre a vitória do Obama, que aconteceu nessa semana. Após o acompanhamento que fiz com os alunos no começo do ano, foi muito prazeroso acompanhar os resultados das eleições e discutir com eles as implicações disso, nesse momento.

Na aula de ontem, em que o tema era Neocolonialismo, foi possível olhar para o discurso da vitória do Obama e pensar se realmente veremos um posicionamento diferenciado, nas questões internacionais, de um país que ainda é, nesse momento, a maior potência econômica e militar. Acredito que o desejo de parte dos americanos seja sim sair do Afeganistão e do Iraque. Ouvi também que há motivações econômicas para sair: o custo de manter essas operações é extremamente oneroso, em especial quando se avizinha uma forte recessão.

Outra conversa na aula foi sobre o temor que há quanto à segurança de Obama nesse momento. São várias as situações na história, na dos EUA claramente, de assassinatos de líderes que apontavam para transformações.

Como escreveu o David Weinberg, nesse lindo post, a vitória do Obama emociona, por muitos motivos. O principal, talvez, seja o fato de poder recuperar as esperanças de mudanças, e portanto abrir as portas para que elas se concretizem.

Fiz esse post no Discurso Citado, e acho que preciso repeti-lo aqui.
Li nesses dias artigos excelente sobre o uso que o Obama fez da internet e dos recursos de mídia social até agora. Um deles é “The wiki-way to nomination”, escrito por Noam Cohen, articulista que tem escrito bastante sobre tecnologias e sociedade no New York Times.
Comparado aos fenômenos das “start up” da internet, falou-se muito sobre o Obama: bom artigo de Marc Ambinder, “HisSpace“, que faz um a boa descrição do uso feito pelos recursos de comunicação pelos candidatos à presidência ao longo da história dos EUA. Fala sobre Andrew Jackson e o uso dos jornais e da expansão do sistema de correios, Franklin Roosevelt e o rádio, John F. Kennedy e a televisão.
Em outro artigo, Andrew Sullivan chama o estilo de Obama de política do Facebook. É algo a se pensar, quando um candidato a presidente consegue levantar US$30 milhões por mês, sendo 95% das doações na faixa dos US$200. Taí uma situação em que os grupos de interesse perdem força para a cidadão comum.
O que fica no ar são as reais perspectivas de manutenção dessa gestão bottom-up caso ele seja eleito. Na verdade, antes disso haverá todo o 2o round da campanha, o que em si já será um bom período de observação do desdobramento destas práticas.

Após a acirradíssima campanha interna, Hillary Clinton hoje reconheceu que a vaga é do Obama. Os rumores são que ela estaria trabalhando para obter a vaga de vice. O Obama anda dizendo que não tem pressa nessa decisão.

Nova etapa, será que o Obama trará outras surpresas para a campanha?

Para quem acha que a história é uma simples evolução do passado para o futuro, valeria à pena ficar de olho em algumas situações políticas contemporâneas. Uma delas é a recente passagem da monarquia para a república no Nepal, obtida após anos de pressão de guerrilheiros maoístas, que lutavam pelo estabelecimento de um Estado socialista. Simples, né?
Mais detalhes, nessa reportagem da Folha de S. Paulo.

Um artigo na Folha Online fala da pressão dos jovens para que os pais votem em Obama.

Com a popularidade bastante cacifada pela circulação na internet, em muitos casos é por meio dos filhos que os pais estão chegando aos discursos cativantes do pré-candidato democrata. A reportagem diz que o discurso de Obama, “A more perfect Union” foi o item mais acessado no Facebook, e a transcrição do vídeo no site do “NYT”  foi a notícia mais enviada por e-mail.

É curioso lembrar que para votar nas primárias os eleitores se filiam a um dos partidos, e há filhos fazendo pressão que os pais “mudem de lado nessa eleição”, mesmo que sejam republicanos tradicionais.

Interessante pensar no papel que pode ter uma juventude esperançosa na articulação de condições para a transformação de um país. Na verdade, esse é o bem maior que podemos desejar, uma juventude mobilizada, atenta e crítica. Se além disso ela ainda conseguir influenciar os pais, estaremos num bom caminho politico.

Os discursos do Obama são uma marca importante da sua campanha. No último dia 18 de março, na Filadelfia, “A More Perfect Union” tornou-se seu pronunciamento mais longo sobre as fronteiras entre política e questões raciais. Obama resolveu entrar mais na questão após a utilização que tem sido feita de declarações inadequadas do pastor da Igreja que ele frequentava, o reverendo Jeremias Wright.

Obama relata o quanto já foi cobrado, ao longo da campanha, por utilizar-se do fato de ser negro para angariar popularidade, ou por evitar identificar-se demais com as questões raciais, para não atrair antipatias.

E entendeu que estava na hora de falar. Estava na hora de reconhecer que não é possível avançar nos Estados Unidos sem encarar que há de fato diferenças, que é preciso promover a igualdade de oportunidades, e que isso é diferente de explorar o ressentimento do discurso racial.

O erro do reverendo Wright, diz Obama, é que ele fala da América como se ela fosse estática, como se ela estivesse inevitavelmente congelada num trágico passado.

Obama aposta em insistir na idéia de que há uma opção. Que seu papel nessa eleição é auxiliar a América nessa luta por uma União mais perfeita.

————

Frutos do trabalho: fiquei conhecendo o blog que linkei acima, que noticia as declarações desastradas do Reverendo Jeremiah Wright, por indicação do meu aluno Renan Santana Pelícia, que utilizou um de seus posts como base de seu texto sobre as eleições.

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E quem quiser ler em português o discurso do Obama, há uma versão bastante razoável aqui.

Tenho comentado nas aulas como esta disputa nas prévias no Partido Democrata tem me feito pensar no completo distanciamento que temos aqui das decisões sobre quem serão os candidatos a qualquer cargo público. Quem tem participação nisso, no máximo, são os cidadãos filiados aos partidos. E quando vai se aproximando as eleições, ficamos com aquela sensação ruim de precisar votar no menos pior…

Pois hoje saiu um texto do Elio Gaspari na Folha de S. Paulo que reitera estas idéias.

Cito algumas passagens:

HÁ UMA BOA notícia no cenário eleitoral brasileiro. É a proposta do senador Tasso Jereissati criando um sistema de prévias para a escolha dos candidatos a cargos executivos do PSDB. Quem está acompanhando as campanhas americanas pode avaliar o caráter purificador desse mecanismo. Obriga os candidatos a sair dos conchavos para disputar os votos da patuléia antes da hora do vamos ver.

(…)

Depois que a caciquia do PSDB deixou-se fotografar em 2006 numa mesa de restaurante, dando a impressão (falsa) de que escolhiam o candidato a presidente da República, as decisões do tucanato adquiriram um travo de vinho italiano estragado.
A forma da prévia importa pouco. O essencial é o processo. O sistema americano levou quase 40 anos para amadurecer, mas faltam oito meses para o pleito e a campanha presidencial de Barack Obama, Hillary Clinton e James McCain entrou em todos os lares do mundo. Sabe-se mais das propostas de Obama para os Estados Unidos do que das plataformas de qualquer candidato a prefeito no Brasil. Esse é o milagre das prévias.

(…)

A idéia tem adversários e dificuldades. A tentativa de organizar prévias para a escolha do candidato no Rio naufragou como um ferro de passar numa piscina. Em 2000, o PPS tentou organizar uma primária para a escolha do candidato a prefeito de São Paulo, e o professor Mangabeira Unger foi denunciado por comprar inscrições. Coisas da vida. Seria bom para todo mundo que houvesse a discussão. Quem é contra bota a cara na vitrine e quem é a favor sobe no caixote.

Foram ontem, sabia?

Venceu o vice-primeiro-ministro, Dmitri Medvedev, homem da confiança do presidente Vladmir Putin, com 70% dos votos, numa eleção em que 2/3 do eleitorado foi às urnas (o voto lá não é obrigatório?).

Putin, que deve assumir o cargo até hoje insosso de primeiro-ministro já mandou arrumarem uma sala pra ele no Kremlin, ao lado do gabinete prsidencial.

Com tanto barulho ao redor da eleição nos EUA, a da Rússia quase passa desapercebida.

A vitória retumbante de Medvedev é atribuída a intensa recuperação econômica promovida por Putin nos últimos anos.

A acompanhar…

Tanta luz na campanha do Obama, quem é que está escrevendo algo de interessante sobre a Hillary Clinton? Encontrei (finalmente…)! É um artigo chamado Goodbye to all that, de Robin Morgan, uma renomada ativista pelos direitos da mulher, publicado no site do Women’s Midiacenter. Ela aponta várias situações  em que o tratamento dado a Hillary como mulher é constrangedor, e seria visto como inaceitável caso situação semelhante dissesse respeito a Obama em sua condição de negro.

Pena a linguagem não ser das mais simples…

Del.icio.us

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