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Os discursos do Obama são uma marca importante da sua campanha. No último dia 18 de março, na Filadelfia, “A More Perfect Union” tornou-se seu pronunciamento mais longo sobre as fronteiras entre política e questões raciais. Obama resolveu entrar mais na questão após a utilização que tem sido feita de declarações inadequadas do pastor da Igreja que ele frequentava, o reverendo Jeremias Wright.

Obama relata o quanto já foi cobrado, ao longo da campanha, por utilizar-se do fato de ser negro para angariar popularidade, ou por evitar identificar-se demais com as questões raciais, para não atrair antipatias.

E entendeu que estava na hora de falar. Estava na hora de reconhecer que não é possível avançar nos Estados Unidos sem encarar que há de fato diferenças, que é preciso promover a igualdade de oportunidades, e que isso é diferente de explorar o ressentimento do discurso racial.

O erro do reverendo Wright, diz Obama, é que ele fala da América como se ela fosse estática, como se ela estivesse inevitavelmente congelada num trágico passado.

Obama aposta em insistir na idéia de que há uma opção. Que seu papel nessa eleição é auxiliar a América nessa luta por uma União mais perfeita.

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Frutos do trabalho: fiquei conhecendo o blog que linkei acima, que noticia as declarações desastradas do Reverendo Jeremiah Wright, por indicação do meu aluno Renan Santana Pelícia, que utilizou um de seus posts como base de seu texto sobre as eleições.

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E quem quiser ler em português o discurso do Obama, há uma versão bastante razoável aqui.

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Há algumas semanas, pedi aos meus alunos do 2o Ano do Ensino Médio para escolherem um artigo jornalístico (ou vídeo, ou aúdio) sobre as eleições nos EUA e para a partir dele produzirem  um texto sobre questões da história americana que estão emergindo na campanha.  O enunciado está neste post.

É fundamental, para o estudo da história, o exercício da leitura de narrativas, documentos e reflexões sobre uma determinada situação, juntamente com a organização dessas idéias em forma de produção textual posteriormente.

Agora que li e comentei a centena de trabalhos recebidos, coloco algumas impressões.

Os resultados foram muito interessantes, pois é possível observar  a seleção que eles fizeram (e nesse sentido, perceber quem faz isso com mais facilidade e quem se atrapalha), as questões históricas que apareceram,  a capacidade de síntese, as formas de organizar as idéias e o estilo de cada um.

Acho que o resultado ficou muito rico, seja pela ampla variedade de fontes pesquisadas, quanto pelos vários retornos que foi possível dar.  Tenho dito aos alunos que estar no Ensino Médio é preparar-se para escrever (ou fotografar, ou desenhar, ou pintar) para o mundo, não só para o professor.

Assim, alguns desses textos serão publicados, tanto no mural da escola quanto na internet. São textos que apontam para muitas questões que estão em debate nesse momento, e a partir das quais podemos mergulhar na história para perguntar qual é seu percurso.

Links para os textos virão, para os artigos originais e para os dos alunos, multiplicando as leituras e as autorias, em novos textos que surgirão, como comentários ou como novas produções.

Essa é a idéia.

Tenho comentado nas aulas como esta disputa nas prévias no Partido Democrata tem me feito pensar no completo distanciamento que temos aqui das decisões sobre quem serão os candidatos a qualquer cargo público. Quem tem participação nisso, no máximo, são os cidadãos filiados aos partidos. E quando vai se aproximando as eleições, ficamos com aquela sensação ruim de precisar votar no menos pior…

Pois hoje saiu um texto do Elio Gaspari na Folha de S. Paulo que reitera estas idéias.

Cito algumas passagens:

HÁ UMA BOA notícia no cenário eleitoral brasileiro. É a proposta do senador Tasso Jereissati criando um sistema de prévias para a escolha dos candidatos a cargos executivos do PSDB. Quem está acompanhando as campanhas americanas pode avaliar o caráter purificador desse mecanismo. Obriga os candidatos a sair dos conchavos para disputar os votos da patuléia antes da hora do vamos ver.

(…)

Depois que a caciquia do PSDB deixou-se fotografar em 2006 numa mesa de restaurante, dando a impressão (falsa) de que escolhiam o candidato a presidente da República, as decisões do tucanato adquiriram um travo de vinho italiano estragado.
A forma da prévia importa pouco. O essencial é o processo. O sistema americano levou quase 40 anos para amadurecer, mas faltam oito meses para o pleito e a campanha presidencial de Barack Obama, Hillary Clinton e James McCain entrou em todos os lares do mundo. Sabe-se mais das propostas de Obama para os Estados Unidos do que das plataformas de qualquer candidato a prefeito no Brasil. Esse é o milagre das prévias.

(…)

A idéia tem adversários e dificuldades. A tentativa de organizar prévias para a escolha do candidato no Rio naufragou como um ferro de passar numa piscina. Em 2000, o PPS tentou organizar uma primária para a escolha do candidato a prefeito de São Paulo, e o professor Mangabeira Unger foi denunciado por comprar inscrições. Coisas da vida. Seria bom para todo mundo que houvesse a discussão. Quem é contra bota a cara na vitrine e quem é a favor sobe no caixote.

Andei bronqueada com o fato de só encontrar, nos livros didáticos, alguns poucos parágrafos da Declaração de Independência dos Estados Unidos. É um documento muito rico para pensarmos nos valores que estão na base da formação daquela nação. Estamos falando também dos valores fundantes da democracia moderna, e estudá-los nos dá bem a dimensão do que estava sendo refutado naquele momento.

Para quem quiser conhecer o texto, coloquei os excertos que utilizamos aqui. É fácil encontrar versões na íntegra na Rede

Também elaborei um roteiro de leitura, composto de 15 questões, que focam nos temas que me parecem principais na Declaração. O roteiro também está online, e pode ser consultado aqui.

Foram ontem, sabia?

Venceu o vice-primeiro-ministro, Dmitri Medvedev, homem da confiança do presidente Vladmir Putin, com 70% dos votos, numa eleção em que 2/3 do eleitorado foi às urnas (o voto lá não é obrigatório?).

Putin, que deve assumir o cargo até hoje insosso de primeiro-ministro já mandou arrumarem uma sala pra ele no Kremlin, ao lado do gabinete prsidencial.

Com tanto barulho ao redor da eleição nos EUA, a da Rússia quase passa desapercebida.

A vitória retumbante de Medvedev é atribuída a intensa recuperação econômica promovida por Putin nos últimos anos.

A acompanhar…

 artprinceharry03ap.jpg  Foi o que disse o Principe Harry, terceiro na ordem de sucessão do trono britânico, ao ser levado de volta para casa depois que a imprensa noticiou sua presença no Afeganistão, combatendo as milícias Talebãs.

Entendo o príncipe, acho que ele nasceu na época errada. Afinal, ele é herdeiro da corôa inglesa. Tem em seu imaginário tantos bravos nobres, que honravam seu brasão defendendo sua casa, seu país, a cristandade. O que mais esperariamos que ele quisesse fazer?

Pobre de um princípe num mundo em que o poder da imprensa é maior que sua determinação, numa época em que só lhe resta implorar por anonimato para poder honrar seu título, e afirmar-se como defensor das forças do bem…

Del.icio.us

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