Um dos objetivos do trabalho com alunos, no Ensino Médio, é exercitar rotinas de organização da informação. São muitas as fontes de pesquisa que usamos em nosso dia a dia, e é preciso poder encontrar novamente os materiais relevantes que encontramos para formar nossas idéias sobre determinado tema.

Uma das formas de fazer isso, na internet, é utilizando uma ferramenta de links favoritos online. Assim, o que você pesquisou em casa pode ser acessado na escola, e aquele computador que pifou não será impedimento para acabar com qualidade o seu trabalho. Também ficam registrados os endereços que você precisará acrescentar à bibliografia do material que estiver produzindo.

Esse ano, decidi pedir a cada aluno que faça para si uma página de favoritos no Delicious, que eu venho usando desde 2005. Cada link guardado deve receber palavras-chave: história, Europa, política, ou qualquer outra que ajude a marcar o que havia no site pesquisado. Esses sites servirão para trabalhos que vamos desenvolver em nossa disciplina.

O uso do Delicious é bem simples, mas quem tiver dificuldade para se cadastrar e começar a usar, pode procurar ajuda nesse tutorial.  Problemas de acesso ou dúvidas específicas? Vamos trabalhar isso no nosso próximo encontro, ao vivo, na escola.

A minha página de links favoritos, venha conhecer, é essa aqui.

O bom de ser professora, pelo menos no meu modo de ver as coisas, é que um ano nunca é igual ao anterior. E já que 2010 está começando, a minha cabeça já está a mil com novas idéias para o curso do 2o ano.
Espero conseguir blogar dessa vez, quem sabe esse pobre blog ganhar algum espaço mais nobre na minha vida e na do curso.
De qualquer maneira, um grande 2010 para todos que aqui aportarem!

E já que começamos o ano organizando alguns conceitos, vai aqui um comentário de economia que reforça o que conversamos sobre o sentido de “tarifas protecionistas”. O pior é que falamos disso tratando das Revoluções Burguesas, pensando num olhar do Liberalismo precisando se livrar das práticas do Mercantilismo. Tipo 200 anos atrás?

Ouçam o que disse o Carlos Alberto Sardenberg, comentarista de economia da CBN

Será que ele tem razão? Ou será que em algum momento o protecionismo é justificável?

2009 já começou faz um tempinho, as aulas na escola só há uma semana.

Hora de retomar o blog, reunir questões de interesse para o curso desse ano, começar o papo por aqui.

E deve haver muita novidade, já que houve alterações no programa!

Vamos ver que cara vai assumir esse blog a partir disso tudo.

Obama Eleito

Obama Eleito

Não podia deixar de escrever sobre a vitória do Obama, que aconteceu nessa semana. Após o acompanhamento que fiz com os alunos no começo do ano, foi muito prazeroso acompanhar os resultados das eleições e discutir com eles as implicações disso, nesse momento.

Na aula de ontem, em que o tema era Neocolonialismo, foi possível olhar para o discurso da vitória do Obama e pensar se realmente veremos um posicionamento diferenciado, nas questões internacionais, de um país que ainda é, nesse momento, a maior potência econômica e militar. Acredito que o desejo de parte dos americanos seja sim sair do Afeganistão e do Iraque. Ouvi também que há motivações econômicas para sair: o custo de manter essas operações é extremamente oneroso, em especial quando se avizinha uma forte recessão.

Outra conversa na aula foi sobre o temor que há quanto à segurança de Obama nesse momento. São várias as situações na história, na dos EUA claramente, de assassinatos de líderes que apontavam para transformações.

Como escreveu o David Weinberg, nesse lindo post, a vitória do Obama emociona, por muitos motivos. O principal, talvez, seja o fato de poder recuperar as esperanças de mudanças, e portanto abrir as portas para que elas se concretizem.

Enquanto os alunos avançam nas suas produções sobreo estudo do meio em Ribeirão (aguardem notícias sobre isso mais adiante!), retomamos o trabalho com os temas que ainda precisamos abordar até o fim do ano.

Como estavamos trabalhando o Brasil no século XIX,  não podia ficar de fora a proclamação da República.

Ontem parti para um exercício interessante: deixar na mão dos alunos o documento com trechos do Manifesto Republicano e tentar observar o que aconteceria se eles fizessem a leitura sem a minha mediação, pelo menos a princípio. Para tanto, elaborei sete perguntas de múltipla escolha para que eles respondessem ao final.

A avaliação foi que a presença dos testes auxilio-os a retornar ao texto e compreender melhor a leitura, já que trata-se de um documento de 1870, de linguagem complexa, etc.

Minha inspiração para esse tipo de atividade foi a prova do ENEM, que ocorreu no dia 31/08. Objetivamente, ninguém precisava ter estudado história para responder as questões daquela prova, que aparentemente se aproximavam dessa disciplina. Mas era fundamental exercer uma boa leitura e ter compreensão do texto.

Valeu a experiência, e agora, quando voltarmos ao tema para terminar nosso trabalho, pelo menos terei certeza de que essa leitura foi feita por completo, o que nem sempre ocorre quando trabalhamos um documento em sala a partir de leitura e discussão.

E, como ganho adicional, posso mapear um pouco melhor os alunos que apresentaram dificuldades claras com esse tipo de habilidade.

O segundo semestre está começando, e  primeiro desafio na escola está sendo preparar a viagem de estudo do meio para Ribeiraõ Preto e cercanias. É a primeira vez que eu participo do projeto. É desafiante, pois acabamos de falar da região por conta da cultura cafeeira do século XIX. Minha questão é: o que ficou disso tudo por lá?

De que maneiras poderemos ver as marcas da história naquela região? Vamos ver o que vem dos alunos.  Será um delicado processo de buscar, por entre a sobreposição de culturas, as oposições entre riqueza e miséria, as contradições da vida no campo, traços da consciência de história dos sujeitos da vida atual.

Semestre no fim, hora de anotar algumas idéias aqui no blog. Estou satisfeita com o curso do 2o ano, ainda que saiba que tenho bons desafios no meu caminho até o fim do ano.

Uma prática interessante que temos feito no Vera Cruz é um trabalho de acompanhamento do curso  das outras série. Debatemos os currículo, os materiais, o tipo de demanda cognitiva das várias atividades propostas. 

Desde o ano passado estamos mais atentos às provas aplicadas nas outras séries. Nessa última, usamos uma reunião para mostrarmos aos colegas nossas avaliações antes de enviá-las para a gráfica, e tenho que afirmar que isso é muito importante. São olhares que nos ajudam a considerar a clareza dos enunciados, o grau de dificuldade das questões, a adequação dos textos escolhidos, o balanceamento dos temas, a variedade de habilidades requeridas na prova.  Quando a gente olha a prova dos outros, a nossa ganha uma dimensão mais clara, e os comentários ajudam muito a fechar a proposta de forma a enriquecer a atividade. Afinal, diz a  nossa coordenadora, Maria Lúcia Di Giovani, prova boa é aquela que a gente aprende com ela.

Estamos ficando afiados com essas conversas, procurando criar uma boa coesão entre as propostas de avaliação das três séries, e, entre outras coisas, tendo claro o que e como estamos avaliando.

Andei me perguntando sobre a utilidade e adequação de inserir as questões de minhas provas na rede. A quem seria útil? A outros professores? Aos alunos, para prepararem-se para outras avaliações? Opiniões?

Fiz esse post no Discurso Citado, e acho que preciso repeti-lo aqui.
Li nesses dias artigos excelente sobre o uso que o Obama fez da internet e dos recursos de mídia social até agora. Um deles é “The wiki-way to nomination”, escrito por Noam Cohen, articulista que tem escrito bastante sobre tecnologias e sociedade no New York Times.
Comparado aos fenômenos das “start up” da internet, falou-se muito sobre o Obama: bom artigo de Marc Ambinder, “HisSpace“, que faz um a boa descrição do uso feito pelos recursos de comunicação pelos candidatos à presidência ao longo da história dos EUA. Fala sobre Andrew Jackson e o uso dos jornais e da expansão do sistema de correios, Franklin Roosevelt e o rádio, John F. Kennedy e a televisão.
Em outro artigo, Andrew Sullivan chama o estilo de Obama de política do Facebook. É algo a se pensar, quando um candidato a presidente consegue levantar US$30 milhões por mês, sendo 95% das doações na faixa dos US$200. Taí uma situação em que os grupos de interesse perdem força para a cidadão comum.
O que fica no ar são as reais perspectivas de manutenção dessa gestão bottom-up caso ele seja eleito. Na verdade, antes disso haverá todo o 2o round da campanha, o que em si já será um bom período de observação do desdobramento destas práticas.

Após a acirradíssima campanha interna, Hillary Clinton hoje reconheceu que a vaga é do Obama. Os rumores são que ela estaria trabalhando para obter a vaga de vice. O Obama anda dizendo que não tem pressa nessa decisão.

Nova etapa, será que o Obama trará outras surpresas para a campanha?

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